Belas Terras

As Belas Terras…

Belas Terras

Belas Terras

Território onde a magia do folclore transcende os mapas e transforma o espaço do Rio Grande do Sul num lugar de lendas vivas, aventuras e muita imaginação: a autêntica Terra da Magia.

A idéia de que o folclore brasileiro – o gaúcho em particular – é uma fonte inesgotável para a criação de histórias de Fantasia, foi a primeira e mais forte na obra de Simone. “No começo”, lembra ela, “eu não estava interessada em ser reconhecida como escritora. O que eu queria era provar que é possível escrever Fantasia utilizando o folclore gaúcho. Isso dá aos contos populares uma nova roupagem e permite a sobrevivência dos personagens tradicionais frente às transformações do mundo atual e da invasão cultural que, na minha adolescência, era um assunto muito discutido.”

No território mágico da Terra da Magia, os personagens folclóricos ganham nova dimensão. Iniciando com A Noite da Grande Magia Branca, a idéia multiplicou-se em possibilidades: surgiram A Fortaleza de Cristal, A Pedra Mágica, o primeiro finalista do Tibicuera de Literatura em 1994 e o segundo finalista da Bienal Nestlé de Literatura de 1988. Também fazem parte desta proposta cultural O Palácio de Ifê e A Estrela de Iemanjá, que se utilizam das figuras da cultura afro-brasileira, e os contos de terror A Cisterna O Saci, sendo que este último foi destaque no Prêmio Habitasul, em 2002. Além destes, há outros trabalhos ainda inéditos dentro do mesmo gênero: em 2010, a escritora lançou, através da Artes e Ofícios Editora, o romance aurum Domini – O ouro das Missões, que mescla um panorama histórico do século XIX com lendas gaúchas e em 2012 a coletânea Contos do Sul.

Mais do que um conjunto de títulos, As Belas Terras são uma resposta da autora à globalização cultural. No redimensionamento dos personagens populares, Simone busca afirmar a identidade nacional,, propondo caminhos para a Literatura de gênero no Brasil: a Literatura Fantástica. E de passo, revela um continente fantástico à espera do desbravamento.

 


aurum Domini – uma investida diferente pelas Belas Terras

 Todo mundo que gosta de Literatura sabe que existem livros especiais, tanto para os leitores, quanto para os autores. Quando este livro chega às nossas mãos, o coração dispara. É paixão, a de verdade.

Tenho muitos livros editados: a maioria em papel, alguns em forma virtual. A maioria por editora e uns quantos

aurum Domini – O ouro das Missões

aurum Domini – O ouro das Missões

independentes. Livros “receita-de-bolo”, livros sob encomenda, livros que são frutos da famosa “inspiração”. Mas eu não lembro de nenhum que tenha me deixado tão nervosa e feliz quanto aurum Domini – O ouro das Missões, salvo A noite da grande magia branca, que foi o primeiro original para o qual procurei uma editora.

A noite da grande magia branca foi a tomada de posição. Foi a forma de provar que era possível escrever Fantasia com personagens da cultura popular brasileira, com cenários locais. Fiquei muito nervosa, na época, porque tinha medo que alguém o fizesse primeiro – e fizeram: Aline Bittencourt editou através da José Olympio o maravilhoso “Momeucaua”, em 1981. Então, não deu para ser a primeira, embora pouca gente que eu conheço conheça este livro que merecia destaque em todas as páginas de Literatura.

Tive que me contentar em fazer o melhor que podia. E assim A noite da grande magia branca terminou tendo sua primeira edição em 1988, através da Editora Kuarup, que infelizmente fechou as portas há alguns anos. Durante algum tempo eu achava que o livro tinha encerrado sua participação na minha vida, mas em 2005, Amir Trindade, da Cortez Editora, me procurou com a sugestão de uma nova oportunidade para a maga dos cabelos de prata. É muito difícil para mim falar sobre o que senti ao rever/reler Teçaya. Não gosto de comparar livros com filhos, mas a personagem me pareceu uma filha rebelde que houvesse viajado para longe e agora voltasse com a mochila estropiada cheia de lembranças que eu não recordava ter lhe dado. Não pedia acolhida. Me dizia: olha, aqui está o que conquistei nos últimos tempos. Não me basta, quero mais, de modo que vou saindo de novo debaixo da tua asa. Mas valeu.

Taçaya é o meu lado independente. Não precisa de mim. Precisa do mundo.

E os tempo foi passando: fortalezas de cristal dividiram minha atenção com mundos que flutuavam presos à Terra por correntes. Orixás e sacis-pererê. Vieram alguns prêmios e muitos trabalhos. Dragões chineses com asas de borboleta e uma vida à dois na Espanha. Pedras mágicas, máquinas fantabulásticas, sonhos a serem realizados e outros que se multiplicavam em leitores e edições.

Ao longo disso tudo, o aurum Domini foi sendo criado. Teve muitos títulos: “A Casa de M’bororé”, “Os Aventureiros de São Miguel”. Nenhum agradou. “O ouro das Missões” era para ser o definitivo, até que a leitura de uma pesquisa sobre um documento me trouxe o título final: aurum Domini – O ouro das Missões, como foi definido pela Artes e Ofícios Editora. Para mim, sempre será, no íntimo, “Chico e Adélia”.

Quando o vi pronto, achei que tinha terminado de escrevê-lo… quanto engano! Ele está na banca há uma semana e já me ensinou muitas coisas. Me apresentou pessoas. Me deu novas oportunidades. E eu só queria vê-lo editado…

aurum Domini é uma história de amor. Também é uma história de aventura. Mas, sobretudo, é parte da ideia que me levou a escrever A noite da grande magia branca: nosso folclore, nossa cultura, nossas lendas e histórias familiares são tão ricas quanto as de todo mundo. Podemos curtir “O Senhor dos Anéis”, amar “Caçadores da Arca Perdida”, sonhar com as peripécias charmosas de Arsène Lupin, desde que saibamos quem somos; desde que possamos “devolver” ao mundo globalizado as nossas histórias, dialogando com o que amamos e não deglutindo o que vem de fora sem piscar – sem pensar. E só existe uma maneira de fazer isso: nos apropriando do que é nosso. Não cristalizando tudo em regras quadradas e imóveis, mas amando nossas histórias, recontando-as, reinventando-as.

Foi Tolkien quem me ensinou isso, muito antes de eu ler “Sobre histórias de fadas”, sua conferência sobre Fantasia. A ideia era poderosa e estava nas entrelinhas do que ele escrevia.

aurum Domini tem como pano de fundo a lenda da Casa de M’bororé. Mas fala também da lenda da Boiguaçu de São Miguel, da ideia imortal de um tesouro enterrado, e de uma história que meu avô contou quando eu era pequena. Está tudo lá. Amor, aventura, Rio Grande do Sul, Missões, lenda, emoção, lembrança, diversão, reflexão.

E agora, tudo isso, está ao alcance dos leitores.

Sirvam-se sem vergonha. É meu, é seu, é nosso.

Bem vindo aurum Domini – O ouro das Missões. Irmão de Teçaya, de Urutauruana Mirim, Saíra e Batuíra.

Aventura brasileira com tempero gaúcho.


Os Sóis da América – as Belas Terras e o Velho Norte

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Mapa que acompanha a saga “Os Sóis da América”

Se no início de sua trajetória como escritora, Simone estava interessada em provar que era possível escrever histórias de fantasia com personagens do folclore gaúcho, em algum lugar desse caminho a ideia cresceu ainda mais. Se era possível escrever histórias com os personagens do folclore gaúcho, o que poderia acontecer se usasse o folclore de diferentes partes do continente americano?

“Na verdade, eu estava buscando o meu “O Senhor dos Anéis“, e isso, desde o começo”, observa a autora. “Cada livro de fantasia que escrevi usando personagens do folclore e da cultura brasileira, foi visando essa grande história de estrada, esse descobrimento do próprio território e uma provocação cultural”.

Os Sóis da América surge no início dos anos 2000. “Foram quatro verões de trabalho. Eu só trabalhava no projeto no verão, durante as férias escolares, quando tinha tempo. Cada livro foi escrito em um ano diferente”, conta ela. Finalizado o texto, a autora tratou de buscar uma editora. Mas nenhuma se mostrou interessada no assunto. “Pessoalmente, recebi feedbacks excelentes por parte dos editores que me conheciam e leram o original. Mas todos receavam o desafio comercial de publicar uma história em quatro volumes. Escola não compra livro em série, e as editoras brasileiras estão voltadas para a venda de livros para escolas e programas de fomento a leitura, mantidos pelos governos. Diante desse quadro, Os Sóis da América era um projeto inviável.”

O que parecia uma barreira, tornou-se um desafio extra. Se as editoras não queriam publicar a obra, Simone resolveu buscar uma publicação independente. Com desenhos de Fabiana Girotto Boff, O Nalladigua, o primeiro volume da saga, chegou às livrarias no primeiro semestre de 2013. A Flauta Condor, o segundo deles, apareceu no segundo semestre do mesmo ano. O Coração de Jade e A Pedra da História, os volumes finais, em 2014.

Agora a saga do menino que percorre o continente do “Sul mais ao Sul de todas as histórias já contadas” até o extremo Norte, descobrindo culturas e vivendo aventuras extraordinárias está completa. Se a autora está satisfeita?

“Bem, sim. Este é, definitivamente, o meu O Senhor dos Anéis“. Mas estive vendo algum material referente aos bandeirantes e à saga missioneira. Há muitas histórias que ainda não foram contadas.”

Que venham elas!